sábado, 21 de setembro de 2013

Com palavras, fotografei

Sou fã das imagens, mas meu coração sem dúvidas é das palavras.

Certa vez, um grande professor contestou com autoridade aquele velho provérbio chinês "uma imagem vale mais do que mil palavras". Parafraseando Millôr, ele disse: "Ora, se uma imagem vale mais do que mil palavras, então diga isso com uma imagem".
Alguns dias depois, me peguei admirando uma paisagem incrível a caminho do estágio e quis fotografar aquilo que meus olhos registravam. Meu celular, porém, estava sem bateria.
Foi ali que percebi que meu professor estava certo, pois aquele momento não se tratava apenas do que eu via, mas de tudo que sentia. Não era apenas uma cena bonita, mas sim uma alegria que me tomava sem nenhum motivo especial.
Sem dispor de nenhuma tecnologia - por sorte - registrei aquele momento de forma mais rudimentar. E funcionou:

Era dia de semana. O sol cobria as pistas do Aterro do Flamengo como um manto suave e amarelo. Na baia, barquinhos balançavam lentamente ao ritmo de uma bossa inaudível. Ao centro, o solene Pão de Açúcar cumpria com competência seu papel de protagonista, roubando a atenção de tudo que o cercava. O verde brilhante das jovens folhas das árvores ao longo do caminho me lembrava de que a primavera se aproximava. Algumas já exibiam simpáticas flores, que somavam àquela aquarela viva novos tons. O vento que entrava pela janela do ônibus vinha carregado de sonhos e esperanças dissolvidos no frescor que enche o ar das manhãs do Rio. A música invadia meus ouvidos e tomava minha cabeça de tal forma que era estranha a ideia de que o resto do mundo não a estava escutando. Aqueles acordes uniam todos os lindos detalhes daquele momento com tal solidez, que parecia que o tempo iria ali descansar. 

Era só mais uma segunda-feira, mais um xis no calendário, mais um passo, mais um degrau.

19 comentários:

  1. Muito obrigada, Sandra. :) Espero que passe por aqui de vez em quando.
    Beijos!

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  2. Adorei! Você é muito talentosa, xará! Beijo

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  3. O dom das palavras é uma dádiva. Continue. Pois vai maravilhar mais esse nosso mundo. Precisamos disso. Parabéns.

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  4. Excelente texto. Continue registrando belas imagens.

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  5. Em alguns momentos, lembrei de cenas da minha infância, pois fui cresci num prédio na Praia do Flamengo, esquina com a Silveira Martins. O Aterro era o meu quintal... Felizmente.

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  6. Continue sempre com seu olhar e o treine a cada dia,para paisagens deslumbrantes,pessoas interessantes...e lugares que vc esteve ou não.A vida é assim,um conglomerado de acontecimentos,nem sempre tão belos,mas na maioria das vezes vale muito a pena,manter o nosso olhar em alta...e se vc tiver que olhar pra baixo tb,olhe!Mas sempre se lembre que o céu está acima de vc...Parabéns pelo texto,colega de Facha.Se orgulhe disso,como eu sempre me orgulho!

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    1. sim, o céu acima de vc, para lhe inspirar. os pés no chão para dividir com todos o sseu olhar poético. beijinosh

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Uma forma poética de escrever...belo texto. Parabéns!!!

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  9. Boa noite, meu nome é Leonardo.
    Queria agradecer por descrever o que já senti semelhantemente. Normal, essa vista é sim, sempre muito agradável. PS.: Até mesmo quando está nublado.
    E agradecer também ao Professor Gilson que me recomendou esse texto. Aposto que ele percebeu a identificação. HAHAHA Enfim, feliz por ler isso e vou favoritar. Espero mais coisas boas em breve.

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  10. Obrigada por todos esses maravilhosos comentários! Saber que minhas palavras tocaram cada um de vcs de forma tão singular é um imenso prazer. Voltem sempre.

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  11. Que lindo, me senti dentro do ônibus com vc, admirando essa linda imagem!!!! Parabéns!!!!

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  12. Adorei o texto, Larissa. Excelente dica do mestre Gilson.

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  13. Muito bom Larissa. Nunca pare de registrar imagens e sentimentos. A vida faz sentido de qualquer jeito, independente de nós. mas com arte e pesia ela fica mais leve e solidária. Parabéns.

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  14. Belo texto, Larissa. Poético, claro, nos conduz com muita leveza por tudo aquilo que te encanta. Sorte sua (e nossa) que o seu celular descarregou. Lembrei-me de um texto do mesmo Millôr, onde ele dizia que há anos não levava máquina fotográfica em suas viagens. Recusava-se a fotografar. Argumentava que uma simples imagem fotográfica jamais poderia descrever aquele momento único, com todos os seus sentidos. E que tinha se dado conta de que, enquanto se preocupava em fotografar, deixava de viver o tal momento. Tenho a impressão de que você teve a mesma sensação, não? Vá em frente e sucesso!

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  15. Parabéns pelo belo texto Larissa! Beijo enorme pra ti! bem- vinda ao Vidráguas!! .)

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